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Red
Bull Giants of Rio
Cada
vez mais o mountain bike se firma como um esporte que se integra
com outras modalidades esportivas. Desde o boom das provas
de corrida de aventura, em meados da década de 90, o mountain
bike tem seu lugar garantido em provas multiesporte.
"Acredito
que provas desse tipo – com o MTB inserido com outras modalidades
desportivas - seja uma tendência", afirma Marcio Ravelli,
piloto da equipe Scott-Fadenp, nove vezes campeão brasileiro
de mountain bike e que terminou a etapa de mountain bike na quinta
colocação.
O
“Red Bull Giants of Rio”, um evento promocional realizado
no domingo, dia 5 de dezembro, no Rio de Janeiro, reuniu em uma
mesma competição com formato inédito os melhores
atletas do mundo da natação, mountain bike, asa delta
e corrida.
Nada
menos que 80 equipes (trinta delas brasileiras) vindas de 40 países,
com quatro atletas de cada modalidade, participaram do evento. Com
esses números, o "Red Bull Giants" of Rio entra
para a história como a maior prova de revezamento multiesporte
já realizada no Brasil.
No
total, 124 dos melhores atletas brasileiros da natação,
mountain bike, asa delta e corredores de fundo, participaram da
prova.
Os
atletas participantes foram selecionados em eventos ao redor do
mundo, chamados de “Fly To” pela Red Bull, fabricante
austríaco de uma bebida energética a base de cafeína.
Pompa
No
Brasil, os atletas do mountain bike foram selecionados na Ametur
Cup, evento realizado em Carandaí (MG), no dia 15 de agosto.
(VEJA
MATÉRIA). Com os nomes dos selecionados definidos,
coube aos atletas se organizarem para formarem as equipes, com um
representante para cada esporte.
Se
o evento esbanjou em infra-estrutura e na premiação
(foram US$ 50 mil de premiação total, US$ 12 mil para
a equipe vencedora, e US$ 1 mil para a 10ª equipe colocada),
deixou a desejar em alguns aspectos.
No
mountain bike, por exemplo, trechos de single track na Floresta
da Tijuca, foram alterados de última hora, por conta da proibição
por parte das autoridades cariocas que não autorizaram o
trânsito das bikes na maior floresta urbana do planeta.
“Gostei
muito do trajeto original, mas tiraram as trilhas do mountain bike”,
disse Abraão, que terminou o trecho de bike na terceira colocação,
a apenas 2min59s do australiano Sid Taberlay, vencedor da etapa
do mountain bike.
A
quantidade de medalhistas olímpicos reunidos em Copacabana
era de dar inveja. Entre os nadadores havia nada menos que cinco
medalhistas olímpicos, entre eles o sul-africano Ryk Neethling,
ouro no revezamento 4x100m livre, em Atenas.
No
mountain bike, a presença do francês Julien Absalon
(foto) e do espanhol José Antonio Hermida,
medalhistas de ouro e prata no mountain bike em Atenas, respectivamente,
deu um brilho especial ao evento. Tanto Absalon quanto Hermida foram
muito requisitados para fotos e autógrafos dos fãs
presentes no evento.
A
grande largada da prova foi às 11 da manhã na praia
de Copacabana, e não faltou pompa. A arena gigantesca montada
em frente ao Hotel Copacabana Palace, contava com várias
tendas, uma para cada finalidade; sala de imprensa completa; palco
para shows; pista de dança; vários telões,
de onde se podia acompanhar a prova ao vivo; comida e bebida à
vontade, com uma farta mesa de frutas importadas.
Não
faltaram também celebridades e personagens do esporte circulando
entre as tendas. A Red Bull se deu ao luxo de presentear a todos
os atletas e staffs de apoio com um aparelho de telefone
celular Siemens M-65, ainda inédito no Brasil. Cada aparelho
já vinha com todos os contatos de todos os participantes
no evento, além de R$ 100 em créditos para serem usados
à vontade. O preço do mimo tecnológico: R$
2.5 mil.
A
prova
Não faltou pompa também no momento
da largada. De um helicópetero saltou o austríaco
Felix Baumgartner, especialista em saltos de base jump. Baumgartner
arrancou suspiros de pavor do público presente ao abrir seu
pequeno pára-quedas a menos 50 de metros do solo.
Tão
logo tocou a areia de Copacabana, um tiro de canhão do Exército
Brasileiro sinalizou a largada.
Como
no triatlo tradicional, os primeiros a largarem foram os nadadores,
que nadaram cerca de 1.200m de Copacabana até a Praia do
Leme, onde saíram da água, correram 200m até
uma plataforma, e, de lá saltaram de uma altura de 6 metros
novamente na água, para concluírem os 4,3 km da natação
na Praia Vermelha, onde estava a zona de transição
para o mountain bike.
Asfalto
& Trilhos
O
paulista Odair Pereira (foto), da equipe Scott-Fadenp,
foi o primeiro atleta brasileiro (e o quarto da geral) a iniciar
o mountain bike. Thiago Aroeira, Albert Morgen (Amazonas Sundown),
Abraão Azevedo (Morgen (Amazonas Sundown) e Rubens Donizetti
vieram minutos atrás.
| FRASES
|

"Essa prova tem tudo a ver com o Rio de Janeiro e é
a primeira vez que vou competir contra o medalha de ouro em
Atenas Julien Absalon".
JAQUELINE MOURÃO
- BRA |
"Tive
dificuldade na escadaria do Cristo e na Ladeira da Pedra Bonita.
Fiquei muito assustado com o calor. Não foi supresa
para mim chegar em primeiro porque eu estava muito bem preparado".
1º LUGAR - AUS (Nº
4)
SID TABERLAY |
"A
maior dificuldade foi a alta temperatura. É a primeira
vez na vida que faço um percurso com esse calor tão
forte. O que mais me incentivou foi a beleza da cidade do
Rio de Janeiro".
2º LUGAR - USA (Nº77)
JEREMY KOBELSKI |
"Foi
um dos mais difíceis percursos que já fiz na
minha vida, o que mais me impulsionou foi a "colada"
com o alemão Lado Fumic (Equipe 52). Achei que não
fosse conseguir terminar a prova. Foi uma surpresa para mim
chegar em terceiro lugar".
3º LUGAR - BRA (Nº
8)
ABRAÃO AZEVEDO |
"Muita
dificuldade na ladeira da Pedra Bonita. Fiz tanto esforço
que a corrente da minha bicicleta arrebentou".
5º LUGAR - BRA (Nº
12)
MARCIO
RAVELLI |
| "A
prova foi muito dura, na última ladeira senti fortes
caimbras. A subida do Cristo também foi bem complicada
e ainda tivemos que enfrentar a última escadaria da
Pedra Bonita".
6º LUGAR - BRA (Nº11)
RUBENS DONIZETE |
O
campeão brasileiro de cross-country e maratona, o paulista
Edivando de Souza Cruz, foi o 62º piloto a pegar a bike e,
para sua surpresa, encontrou um dos pneus furados. Vando arrumou
rapidamente o pneu e partiu para uma corrida de recuperação.
O
percurso do mountain bike – praticamente todo ele em asfalto
- saiu da Praia Vermelha, cruzou todo o Aterro do Flamengo, seguiu
em direção ao Bairro de Santa Tereza, passou por escadarias,
e continuou a subir em direção ao alto do Morro do
Corcovado, onde fica a estátua do Cristo Redentor. Com a
bike nas costas, os bikers subiram e desceram mais escadarias, no
pé da estátua do Cristo.
Em
seguida, os bikers desceram cerca de 800m pelo leito da ferrovia
do Corcovado, pegaram o asfalto novamente e desceram velozmente
o Morro do Corcovado. A chegada do mountain bike estava localizada
no final de uma dura parede, muito inclinada, no alto da Pedra Bonita,
a 696m sobre o nível do mar.
O
primeiro biker a cumprir o trajeto de 37 km foi o australiano Sid
Taberlay. O norte-americano Jeremy Horgan-Kobenski chegou em segundo.
O brasiliense Abraão Azevedo foi o terceiro biker a chegar
na meta final, e o melhor brasileiro no MTB. O alemão Lado
Fumic veio logo depois.
A
estreita estrada que sobe o Morro do Corcovado ficou congestionada
com veículos de imprensa e de apoio. O austríaco Michi
Weiss teve seu caminho bloqueado por uma van e perdeu alguns segundos.
Alguns
competidores, como Marcio Ravelli e Pedro Bianco (campeão
argentino de MTB) tiveram a corrente da bike quebrada nos metros
finais, devido ao esforço sobre humano da escalada final.
À
medida que os bikers chegavam, os pilotos de asa-delta entravam
em ação e decolavam em direção ao Jardim
de Alá, na Praia de Ipanema/Leblon, de onde partiram os corredores
para uma dura corrida de 20 km, que passou pela Lagoa Rodrigo de
Freitas e terminou com uma escaldante corrida pelas areias da Praia
de Copacabana.
Brasil
no pódio
Sob
um sol escaldante, o primeiro corredor a cruzar a linha de chegada
foi o australiano Courtney Atkinson, que concluiu a prova com o
tempo de 4h26min41s. Cinco equipes brasileiras ficaram entre as
10 melhores.
A
equipe brasileira formada por Bruno Bonfim, Abraaão Azevedo
(foto), Betinho Schimitz e pelo corredor Raimundo
Nonato, ficou em segundo lugar na geral e levou um belo prêmio
de US$ 10 mil, cerca de R$ 30 mil. No total, o evento distribuiu
US$ 50 mil em dinheiro.
A
equipe formada por Luiz Lima, Albert Morgen, Luis Fernando Dias
e pelo triatleta Virgílio de Castilho, ficou com a quarta
colocação. Outra equipe brasileira, formada por Rafael
Gonçalvez, Rubens Donizete, Dorival Agulhon e Erick Trapp,
terminou na sexta colocação, na geral. Na oitava colocação
ficou o time formado por Guilherme Bier, Thiago Aroeira, Mário
Felske e pelo corredor Alberto Evangelista dos Santos.
A
equipe de Marcio Ravelli terminou na nona colocação.
Ravelli competiu ao lado do nadador Alexandre Angelotti, do piloto
de asa delta Márcio Rosada e do triatleta argentino radicado
no Brasil, Oscar Galindez.
No
domingo a noite, uma festa regada a muito Red Bull [e bebidas destiladas
à vontade], no alto do Morro da Urca, coroou os melhores
do evento com o melhor visual da Cidade Maravilhosa.
Resultado
geral das dez primeiras equipes:
| Col |
País |
Tempo
total |
| 1 |
Austrália |
4:26:41,1 |
| 2 |
BRASIL |
4:27:11,5 |
| 3 |
Áustria |
4:27:51,4 |
| 4 |
BRASIL |
4:32:50,0 |
| 5 |
Estados
Unidos |
4:38:18,3 |
| 6 |
BRASIL |
4:39:16,5 |
| 7 |
Rússia |
4:39:35,9 |
| 8 |
BRASIL |
4:41:43,5 |
| 9 |
BRASIL |
4:42:35,9 |
| 10 |
Portugal |
4:48:34,7 |
Confira
os resultados completos da prova
Veja
também: Confira
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