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As bikes
nas guerras
Desde a Guerra dos
Boeres em 1899 até hoje no Iraque,
as bicicletas sempre estiveram nos conflitos
Camelo
com rodas
Em quase toda imagem que vemos do
Afeganistão e do Iraque, lá estão elas: as
bicicletas. Meio de transporte barato, prático, que não
requer combustível nem água, as bicicletas têm
seu lugar garantido nas regiões inóspitas da Ásia
central. Não é à toa que até mesmo no
Brasil muita gente a chama pelo apelido carinhoso de "camelo",
com a vantagem que não bebe água e não precisa
de comida, só umas gotinhas de óleo de vez em quando.
Muito provavelmente a bike da foto ao lado foi fabricada na cidade
de Ludhiana, no estado indiano do Punjab. A grande maioria das bikes
usadas naquela região são réplicas perfeitas
das antigas bicicletas inglesas Raleigh e das Phillips, aro 28",
com freio a varão, farol a dínamo, pára-lamas,
bagageiro com porta pacotes e tudo o mais.
A maior
Ludhiana concentra a maior produção
de bicicletas e componentes do mundo e é lá a sede
da Hero Cycles Ltd, o maior fabricante de bicicletas do planeta.
A Hero se orgulha de já ter produzido mais de 80 milhões
de bicicletas desde 1956. A capacidade de produção
da fábrica é de 16.500 bikes/dia. Números para
fazer a Trek, Specialized, Cannondale e Caloi morrerem de vergonha.
Mais da metade da produção da Hero é exportada
para mais de 50 países. Suas bikes são usadas tanto
pelos guerreiros do Taliban quanto por novaiorquinos.
O início do Mountain Bike
O emprego de bicicletas em uso militar
é antigo. No princípio foram utilizadas apenas para
serviços de mensageiros e posteriormente para reconhecimento
de terreno. A primeira notícia da aparição
da bicicleta em uma guerra foi com os ingleses e suas bicicletas
dobráveis Dursley-Pedersen, na Guerra dos Boeres, na África
do Sul, em 1899.
Antes disso, em 1896, o tenente norte-americano
James Moss liderou um grupo de 20 soldados ex-escravos do Fort Missoula,
em Montana, até a cidade de St. Louis, no Missouri. A aventura
por trilhas de montanha do velho oeste levou 32 dias. Dizem os militares
que o verdadeiro mountain bike nasceu aí nesta aventura,
e não por hippies da Califórnia em 1970, como crêem
alguns.
Os conflitos continuaram e as bicicletas
foram à guerra. Na Segunda Guerra Mundial elas tiveram papel
importante no exército francês, alemão, holandês,
inglês e japonês, entre outros. Na guerra do Vietnã
as bicicletas foram largamente utilizadas na trilha Ho Chi Ming
para fazer o abastecimento dos soldados do norte. Munição
e pesadas peças de artilharia eram transportados em bicicletas
pelo meio da selva tropical.
Exército
sem guerra
Mas é na Suíça
que elas fizeram mesmo fama entre os militares. Desde 1905 existe
o Exército Suíço Ciclístico. No país
de relevo acidentado e coberto por florestas, a mountain bike é
empregada como veículo de deslocamento rápido por
várias brigadas daquele exército. Eles usam bikes
da marca Condor, feitas em aço, pesam 25 kg quando equipadas
e levam até 60 kg de equipamento bélico - arma anti-tanque
incluída aí.
A escola de ciclismo do exército
suíço é muito concorrida, são apenas
200 vagas por ano. Atletas de elite como o campeão olímpico
Pascal Richard e Laurent Dufaux saíram das fileiras do exército
sobre rodas da Suíça.
Entretanto, essa instituição
tão famosa quanto os toblerones e os canivetes suíços
vai desaparecer em 2003. Um corte no orçamento de gastos
militares anunciado pelo governo vai acabar com os regimentos ciclistas
que, segundo os militares, já estão fora dos padrões
da guerra moderna. Além do mais, a Suíça não
tem planos de entrar em guerra com ninguém.
Novos
projetos
Os norte-americanos não pensam
assim. Até hoje eles têm suas brigadas de infantaria
e pára-quedistas que utilizam a bicicleta, e mais: gastam
e investem em pesquisa para aprimorar o uso militar das bikes. Hoje
eles usam mountain bikes Montague Paratrooper, dobráveis
e que montam facilmente em menos de 30 segundos e também
uns modelos especialmente desenvolvidos para eles, que cabem em
uma pequena bolsa e podem ser levadas em uma mochila e lançadas
de pára-quedas.
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