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WIRED
TO WIN
Documentário mostra reações do cérebro
de ciclistas no Tour
A
edição de comemoração dos cem anos da
Volta da França, em 2003, foi o cenário escolhido
para o filme documentário “Wired to Win. Surviving
the Tour de France”, do diretor Bailey Silleck.
O filme,
ainda sem título em português, levou três anos
para ser concluído e conta a epopéia dos ciclistas
da equipe francesa FDJeux.com Tyler Hamilton, Jimmy Casper e Baden
Cooke ao longo dos 3.427 quilômetros e 20 etapas do Tour.
E Silleck
não poderia ter escolhido melhor cenário para seu
filme. A 100ª edição foi uma das mais emocionantes
da história da Volta. Lance Armstrong lutava para entrar
para o seleto grupo de pentacampeões da prova, o alemão
Jan Ullrich terminou como vice-campeão da prova, com a menor
diferença de Armstrong (1min01s), o americano Tyler Hamilton,
ex-gregário de Armstrong, tentava superar seu ex-companheiro
de equipe, e nem uma fratura na clavícula o impediu que terminasse
na quarta colocação geral. Esses elementos fizeram
da edição do centenário uma prova para ser
lembrada para sempre ao longo da história.
O
diretor e sua equipe de produção enfrentaram muitas
dificuldades durante a filmagem. Muitos pontos escolhidos, e informados
previamente aos organizadores do Tour, eram conflitantes com as
equipes de transmissão de TV que cobriam o Tour.
Em
outros momentos, a freqüência de rádio utilizada
pelos produtores do filme para controlar remotamente a câmara
instalada em uma motocicleta BMW especialmente adaptada, eram proibidas
de serem utilizadas na França. “A solução
foi improvisar uma freqüência a cada dia, até
que finalmente utilizamos uma freqüência exclusiva das
forças armadas francesas”, disse Daniel Ferguson, assistente
do diretor. Outras cenas foram colhidas por vôos rasantes
de um helicóptero muito próximo do pelotão.
O
FILME
O filme,
rodado com tecnologia digital Imax, contou com uma equipe de produção
com 50 membros. A tecnologia Imax é normalmente utilizada
em documentários, com duração de 40-50 minutos.
Silleck dirigiu também os documentários Viagem Cósmica
(1996) e Mundos Perdidos: A Vida em Equilíbrio, em 2001.
"É
meio embaraçante realmente. Eu não percebia que [o
ciclismo] era um esporte de equipe e que, na realidade, envolve
uma incrível quantidade de estratégia. É como
um jogo de xadrez com bicicletas. Quando você conhece alguns
ciclistas e você vê quão duro é apenas
completar a prova, é quase impossível não se
envolver emocionalmente com o esporte”, afirma.
Tyler
Hamilton, Jimmy Casper e Baden Cooke lutavam por objetivos diferentes
na Volta e tinham seus próprios desafios pessoais. Logo na
primeira etapa, o francês Casper se envolveu em uma queda
coletiva com quase 100 ciclistas, passou a noite no hospital e alinhou
novamente para a etapa do dia seguinte usando um imobilizador no
pescoço.
O mesmo
acidente ocasionou a fratura da clavícula do norte-americano
Tyler Hamilton, que originalmente seria o personagem central da
trama do filme. Já o sprintista australiano Baden Cooke venceu
sua primeira etapa em uma grande competição e terminou
como campeão geral entre os velocistas em Paris.
CIÊNCIA
E ARTE
A idéia
do filme foi a de mostrar como o cérebro gerencia o estresse
e a dor durante a competição. Gráficos gerados
por computador e por equipamentos médicos procuram explicar
como os ciclistas suportam e sobrevivem ao sofrimento impostos pela
maior competição de ciclismo do mundo.
Em
meio a espetaculares cenas aéreas de descidas supervelozes
nos Alpes franceses, o filme mostra as imagens de como o cérebro
dos ciclistas lida com as mais diversas situações
da corrida. No final, o filme resulta num belo enlace da arte com
os avanços da ciência.
O
filme já está em exibição em algumas
salas dos Estados Unidos, Canadá, Holanda e França
e será exibido em salas especiais em instituições
culturais.
O site
oficial do filme (www.wiredtowinthemovie.com)
é bastante completo e dispõe de um trailer com belas
imagens do filme, além de downloads de papéis de parede,
galeria de fotos e outras informações.
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