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ARTIGO:
ÍDOLOS
O que Lance Armstrong e Jimi Hendrix nos ensinam sobre talento
Qual
a diferença entre um bom atleta e um campeão e como
se faz para saber quem tem talento para ser um grande campeão?
Essas perguntas são bastante difíceis de serem respondidas
e, mesmo os especialistas em treinamento desportivo e fisiologia
do exercício, não têm uma resposta clara e conclusiva.
Avaliações físicas aplicadas por profissionais
competentes são um bom começo para distinguir o joio
do trigo, mas também têm suas limitações.
E na
música? Como se descobre um cantor ou um guitarrista, por
exemplo, de real talento?
Já faz algum tempo que acompanho o programa norte-americano
“American Idol”, que o SBT agora apresenta no Brasil
com o nome de “Ídolos”. A versão brasileira
segue os mesmos moldes dos EUA e não fica nada a dever para
os gringos.
Para
quem nunca assistiu, o programa é um gigantesco concurso
de calouros com eliminatórias em várias cidades do
País, e tem como objetivo final revelar o melhor e mais talentoso
cantor, ou cantora.
Já
conversei com muitos e muitas atletas do ciclismo e outros esportes
com bicicleta e todos os grandes campeões têm algo
em comum: se destacaram desde muito cedo no esporte, logo na primeira
ou segunda prova que disputaram. Muitos já estrearam na vida
competitiva com vitórias implacáveis.
DESAFINO
No
ciclismo é muito comum atletas que culpam a bike pelo mau
desempenho numa corrida. “Fui mal porque minha bike é
pesada” é algo que se houve com bastante freqüência
entre os atletas do segundo escalão. Jamais vi um grande
campeão fazer reclamação desse tipo; quando
vão mal, simplesmente assumem o fato.
No
“Ídolos”, cada candidato se apresenta perante
quatro jurados (nos EUA são três) e canta uma música
de sua escolha, sem microfone, só no gogó. Imagino
que fazem assim para nenhum candidato culpar o microfone ou o sistema
de som pelo desafino ou pela voz que desagradou aos jurados.
Lembro
bem da apresentação de uma jovem negra de apenas 17
anos – Paris Bennett (foto) – no “American
Idol”. Logo que abriu a boca e soltou o primeiro refrão
de “Georgia on My Mind”, do genial Ray Charles, já
deu para notar que a moça era especial. Eu notei, todos notaram.
De
origem bastante simples, ela encantou a todos pela beleza da voz,
desenvoltura no palco, polidez, escolha do repertório e simpatia.
Paris foi aprovada com louvor e unanimidade, continua no programa
e é bem cotada para vencer. Pode até ser que não
vença, mas que é extremamente talentosa...ninguém
duvida.
Muitos
campeões têm a mesma origem simples de Paris Bennett.
Marcio Ravelli, Janildes Fernandes e o próprio Lance Armstrong
não nasceram em berço de ouro, mas não decepcionaram
nos momentos decisivos.
DÁDIVA
No
ciclismo, o talento pode ser medido pelos resultados e eles já
acontecem no início da carreira dos grandes campeões.
Assim como Paris Bennett, os grandes campeões do futuro começam
a se destacar cedo.
Foi
assim também com o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix
(foto), que com menos de vinte anos já tocava
com uma virtude inigualável e entrou para a história
como um dos maiores guitarristas pop, senão o maior, de todos
os tempos. O riff de “Purple Haze” e o solo de “Voodoo
Child” vão ecoar para sempre.
Assim
como a voz de Paris Bennet e os acordes inconfundíveis de
Hendrix, o talento de um grande ciclista campeão é
nato, veio ao mundo quando as mães deles deram à luz.
Dádiva é o nome correto, e dádiva não
se compra, nem se treina, nem se desenvolve.
Um
grande cantor, guitarrista ou campeão têm algumas coisas
em comum. Simplicidade e humildade só para começar.
Vi candidatos, tanto no “Ídolos” quanto no “American
Idol”, que estavam tão certos que eram os melhores
que, de tão arrogantes, desrespeitaram os jurados. Ídolos
e campeões de verdade não fazem isso.
Assim
como na música não basta ter um belo rosto ou uma
bela voz, no esporte também não basta ter resultados
expressivos. Tem que ter outras tantas qualidades: pontualidade,
comprometimento, disciplina, honestidade, bom caráter e educação
são apenas algumas delas.
Mas
o principal talvez seja entender a seguinte premissa: não
se treina e nem se estuda para ser um Lance Armstrong ou um Jimi
Hendrix, eles já nascem Lance Armstrong e Jimi Hendrix.
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