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Especial

OS MELHORES DE TODOS OS TEMPOS
Artigo aponta questiona quem seria o melhor ciclista da história

Por Jeferson Mário, ciclista de Brasília, DF - E-mail: jefmario@bol.com.br

É comum lembrar-se do último campeão geral da Tour de France (nos últimos sete anos foi o norte-americano Lance Armstrong - foto), do Giro D’Italia e da Vuelta da Espanha.

Isso para quem é aficionado por ciclismo e acompanha o esporte pelo noticiário.

Ano passado, todas essas provas foram realizadas e somente alguns dotados de boa memória conseguem lembrar-se dos respectivos vencedores. É normal, pois o ser humano, seja homem ou mulher, vive o presente e não o passado. Devido a essa característica é interessante ter em mente que grandes ciclistas, de nacionalidades diversas, sempre existiram, sendo resultado da paixão ou percepção considerar A ou B como o maior de todos os tempos.

Uma retificação, o segundo maior de todos os tempos, pois o belga Eddy Merckx "O Canibal" (foto) possui unanimidade no meio como o deus do esporte do pedal. Mas quem seriam, então, os demais?

A idéia principal do artigo, como o próprio título diz, é sugerir nomes de ciclistas vistos como os mais importantes desde o surgimento do esporte no final do século XIX.

Veja bem: sugerir nomes e não fechar posições a respeito. Cada um tem sua opinião. Outros objetivos estão relacionados à ampliação de informações sobre o esporte e discussão do assunto de maneira mais apurada, enfocando novos pontos de vista sobre o assunto, respeitando opiniões alheais. Isso porque o ciclismo, como foi dito anteriormente, é paixão e cada um deve “puxar a brasa para a sua sardinha”.

Para tanto, foi adotada determinada metodologia de aferição, em que, além das quatro provas citadas anteriormente (Tour de France, Giro D’Italia, Vuelta da Espanha e Mundial), foram incluídas as clássicas Paris-Roubaix e Milan-San Remo. Por que as duas? Porque ambas possuem “glamour” entre os ciclistas profissionais, são provas tradicionais desde o início do século XX e são relevantes do calendário mundial. Outras, claro, poderiam ser incluídas.

Iniciando com a explicação da metodologia adotada cabe ressaltar que:

1) Foram tabulados os vencedores das seis provas entre 1940 e 2004. A razão de iniciar-se naquele ano prende-se ao fato de o italiano Fausto Coppi ter dado início a sua vitoriosa carreira, sagrando-se campeão do Giro pela primeira vez. O ano de 2004, devido ao término do calendário ciclístico profissional.

2) Dos vencedores das provas, foram observados, por ordem alfabética, aqueles que obtiveram o maior número de vitórias, chegando-se aos dados da tabela abaixo:

NÚMERO DE VITÓRIAS DE CADA PROVA

Ciclista
Mundial
Tour de
France
Giro
D’Italia
Volta da
Espanha
Paris-
Roubaix
Milan-San
Remo
Soma de
vitórias
Bernard Hinault
França
1
5
3
2
1
0
12
Eddy Merckx
Bélgica
3
5
5
1
3
7
24
Fausto Coppi
Itália
1
2
5
0
1
3
12
Greg Lemond
Estados Unidos
2
3
0
0
0
0
5
Jacques Anquetil
França
0
5
2
1
0
0
8
Lance Armstrong
Estados Unidos
1
7
0
0
0
0
8
Louis Bobet
França
1
3
0
0
1
1
6
Miguel Indurain
Espanha
0
5
2
0
0
0
7
Oscar Freire
Espanha
3
0
0
0
0
1
4
Rik Van Steenbergen
Bélgica
3
0
0
0
2
1
6
Rik Van Looy
Bélgica
2
0
0
0
3
1
6

Fonte: “sites” oficiais das competições

Primeira observação: a última coluna da direita é o somatório das provas vencidas.

3) Após verificar o quantitativo de vitória de cada ciclista, deu-se pesos diferenciados a cada prova, com a finalidade de graduar cada evento, melhor dizendo, mensurar a importância de cada uma delas, diferenciando-as. Assim, o Mundial recebeu peso 3, por ter sido avaliada, aqui, como a mais relevante para o atleta. Afinal de contas é a Copa do Mundo do ciclismo; oTour de France, o Giro D’Italia e a Vuelta a Espaha receberam peso 2, pois os três eventos formam uma espécie de tríade inseparável do ciclismo mundial em termos de relevância; e a Paris-Roubaix e Milão-San Remo, peso 1, devido ao exposto anteriormente. Após isso, chegou-se ao próximo quadro:

NÚMERO DE VITÓRIAS DE CADA PROVA - PESOS DIFERENCIADOS

Ciclista
Mundial
Tour de
France
Giro
D’Italia
Volta da
Espanha
Paris-
Roubaix
Milan-San
Remo
Soma c/ peso
-
Peso 3
Peso 2
Peso 2
Peso 2
Peso 1
Peso 1
diferenciado
Bernard Hinault
França
1
5
3
2
1
0
22
Eddy Merckx
Bélgica
3
5
5
1
3
7
41
Fausto Coppi
Itália
1
2
5
0
1
3
21
Greg Lemond
Estados Unidos
2
3
0
0
0
0
12
Jacques Anquetil
França
0
5
2
1
0
0
16
Lance Armstrong
Estados Unidos
1
7
0
0
0
0
15
Louis Bobet
França
1
3
0
0
1
1
11
Miguel Indurain
Espanha
0
5
2
0
0
0
14
Oscar Freire
Espanha
3
0
0
0
0
1
10
Rik Van Steenbergen
Bélgica
3
0
0
0
2
1
12
Rik Van Looy
Bélgica
2
0
0
0
3
1
10

Fonte: “sites” oficiais das competições

Segunda observação: para se chegar ao resultado, multiplica-se o número de vitórias pelo respectivo peso. Exemplo: Rik Van Looy - 2x3 + 3x1 + 1x1 = 10 (última coluna da direita).

4) Por último, os nomes foram postos em ordem de classificação, chegando ao seguinte resultado final:

OS MELHORES CICLISTAS DE TODOS OS TEMPOS

Col.
Ciclista
Soma com
peso diferenciado
Eddy Merckx - Bélgica
41
Bernard Hinault - França 
22
Fausto Coppi - Itália
21
Jacques Anquetil - França
16
Lance Armstrong - Estados Unidos
15
Miguel Indurain - Espanha
14
Rik Van Steenbergen - Bélgica
12
Greg Lemond - Estados Unidos
12
Louis Bobet - França
11
10º Rik Van Looy - Bélgica
10
11º Oscar Freire - Espanha
10

Posto dessa forma, Eddy Merckx se apresenta, sem nenhuma dúvida, como o maior ciclista de todos os tempos. Isso não foi nenhuma novidade. Somente para ilustrar tal relevância, o belga ficou com medalha de bronze quando foram eleitos os maiores atletas do século XX. O nosso Pelé ficou com a medalha de ouro e o pugilista Kassius Kley, com a prata.

Um outro aspecto a destacar são as lideranças de belgas e franceses no esporte, bem como as presenças de Lance Armstrong e Oscar Freire (foto) no quadro.

Isso acontece porque o norte-americano e o espanhol despontam como grandes ciclistas capazes de subirem ainda no ranking, haja vista terem alcançado pontuação expressiva até o momento.

Como foi dito no início, o artigo procurou, entre outros motivos, visualizar e esclarecer, de maneira imparcial (se é que existe imparcialidade plena) e de forma menos apaixonada e mais isenta, que grandes ciclistas são resultado da participação e de vitória em várias provas de relevo do calendário mundial, sendo precipitado colocar certos atuais como o segundo, depois de Eddy Merckx, como a própria mídia propõe e insiste. O senso crítico nesses momentos é muito útil para contra-argumentar uma opinião.

Antes de terminar, sugere-se olhar atentamente o quadro consolidado das vitórias de cada prova desde o ano de 1940. A tabela é muito ilustrativa e há condições de retirar várias outras constatações. A discussão está aberta.

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