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Um
passeio pela história no Museu Caloi
O imigrante italiano Luigi Caloi
chegou ao Brasil em 1898 e nesse mesmo ano fundou a Casa Luiz Caloi,
em sociedade com seu cunhado Agenor Poletti. No início era
apenas uma importadora de bicicletas localizada na Rua Barão
de Itapetininga, na região central de São Paulo. Devido
às dificuldades em importar componentes durante a II Guerra
Mundial, a Caloi passou a produzir peças e alguns componentes
em 1945. A produção de bicicletas só começou
em 1948.
Alguns modelos antigos foram conservados
pela empresa e outros foram restaurados por especialistas. Em 1998,
para comemorar seu centenário de fundação,
a Caloi organizou uma exposição itinerante e já
esteve em diversos locais na capital paulista além de ter
visitado várias capitais brasileiras.
A Bikemagazine visitou a exposição
na fábrica localizada na zona sul de São Paulo e selecionou
alguns modelos que contam a história da bicicleta no Brasil.
Confira!
Celerífero
Esta réplica do ano 1790
é a mais primitiva forma de bicicleta que se conhece. Idealizada
pelo conde francês Méde de Sivrac, este modelo não
dispunha de pedais, e portanto, a propulsão era feita com
o movimento dos pés diretamente tocando o solo, no mais autêntico
estilo "Flinstones".
Era impossível de se fazer
curvas, pois o guidão era fixo.
Draisiana
Criada em 1813 pelo barão
alemão Karl Friederich Christian Ludwig von Sauerbroun Drais,
a Draisiana é uma evolução do Celerífero.
Este modelo já tinha articulação na roda dianteira.
A propulsão ainda era feita
diretamente com os pés. A patente foi cedida para vários
fabricantes em diversos países.
Biciclo
Inglês
Esta é a peça original
mais antiga da exposição e pertenceu ao Sr. Guido
Caloi.
Criada pelo inglês James Starley,
em 1870, esta avó das bicicletas tinha o aro revestido em
madeira, pois o pneu, como o conhecemos hoje, só foi inventado
sete anos mais tarde pelo britânico John Boyd Dunlop.
O ciclista já podia pedalar
para se locomover. Foi um sucesso de vendas. Devido à sua
altura enorme, o biciclo causava acidentes graves mesmo nas quedas
mais corriqueiras.
Bianchi
As Bianchi foram sempre o carro chefe
na época que a Caloi era apenas uma importadora de bicicletas.
O modelo ao lado, de 1935, tinha
aro 28" e pára-lamas, como era comum nas bikes da época.

Fiorentina
Este modelo do ano 1953 tinha aro
26" (novidade para a época), freio a varão, bagageiro
e vinha com uma utilíssima bolsa para ferramentas sob o selim,
em couro.
Caloi Três Marchas
Esta
bicicleta do ano 1955 trazia algumas inovações como
o câmbio de três marchas embutido no cubo traseiro,
da marca inglesa Sturmey Archer.
Tinha ainda esticador de corrente
na gancheira, trava anti-furto na roda traseira e placa de identificação,
como nos carros. [Veja
detalhe]
Campeoníssima
Na década de 60 a Caloi lançou
modelos em homenagem a times [e torcidas] de futebol. A Campeoníssima
Colorado, do ano de 1962, era destinada aos torcedores do Internacional
de Porto Alegre.
Detalhe: Este modelo era fornecido
com freio contra-pedal, para agradar ao público sulista.
Havia também outras opções de times, como a
do Palmeiras, na foto abaixo à direita.

Calhambeque
Em 1966 a Caloi lançou esta
bela bicicleta infantil. Foi lançada pelo cantor Roberto
Carlos, no auge do movimento Jovem Guarda, em um programa da TV
Record.
Berlineta
dobrável
Lançada em 1968, esta aro
20 foi moda nos anos 70 entre o público jovem. Suas características
compactas, aliadas ao fato de ser dobrável, fizeram da Berlineta
uma ótima opção para uso urbano. Tinha bagageiro
na traseira e guidão alto, para o conforto do ciclista.
Caloi
10
Outra lenda! Lançada em 1972,
pela primeira vez um cidadão comum podia adquirir uma "bicicleta
de corrida", com 10 marchas! Aquilo era um sonho. Seu quadro
é baseado nas Bianchi San Remo.
Teve vários modelos produzidos:
Sportissima, Sprint e até uma versão com 12 marchas.
Muito resistentes, até hoje encontramos as Caloi 10 rodando
pelas ruas e estradas do país.

Caloi Jovem
Esta aro 24" é do ano
1976. O quadro tem medidas menores para poder ser utilizado por
adolescentes e jovens.
Tinha tudo o que uma bike para adultos
tinha, inclusive pára-lamas e suporte para bomba.

Caloi Cross Extralight
Um autêntica lenda! O lançamento
da Extralight marcou a chegada do BMX ao Brasil, em 1978. Em 1982,
o filme "ET - O Extraterrestre" serviu para alavancar
e popularizar as bicicletas de cross ao redor do mundo.
As rodas eram no tamanho 20"
com pneus biscoito. As partes de alumínio da Extralight eram
coloridas (inédito na época) e tinha rotor na caixa
de direção.
Caloi
Ceci
Lançada em 1979 - e produzida
até os dias de hoje -, a Ceci foi a primeira bicicleta destinada
ao uso feminino. Até então havia um certo preconceito
contra mulheres que se aventuravam a pedalar.
A cestinha na dianteira sempre foi
a marca registrada deste modelo. O comercial de TV desta bicicleta
trazia a atriz Bruna Lombardi como garota propaganda.

Mountain Bike
Criado na Califórnia no final
dos anos 70, a febre do mountain bike chegou ao Brasil em meados
da década seguinte.
Este foi o primeiro modelo desta
modalidade fabricado no Brasil, em 1987. Tinha 18 marchas, não
indexadas. Repare no quadro double-triangle a la GT.
Saracen
Full Suspension
Pouca gente sabe, mas a Caloi exporta
bikes de free ride para a Inglaterra desde 1999. Lá, elas
são comercializadas com o nome de "Saracen".
A suspensão tem curso grande
para uso off-road. O quadro, reforçado, lembra as FSK.

Eddy Merckx
Bike profissional de ciclismo. Desenvolvida
no início da década de 90 pelo famoso campeão
belga Eddy Merckx, que brilhou no ciclismo mundial nos anos 80.
Merckx, que fabrica quadros de competição,
veio ao Brasil para uma prova "9 de Julho" e daí
nasceu a parceria com a Caloi, que chegou a fornecer bicicletas
para a equipe norte-americana Motorola.
Até
mesmo o heptacampeão do Tour de France, Lance Armstrong,
já pedalou um modelo Caloi-Eddy Merckx. Muitos desses modelos
ainda participam de provas de ciclismo no Brasil.
Texto: Marcos Adami
Fotos: Marcos Adami
Foto Caloi 10: André Peggion
Foto Lance Armstrong: James Startt
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