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Restauração
(1) - Identificação e Datação
Saiba como identificar
e datar uma bicicleta para restauração
Cena 1:
Você está passeando por um mercado de pulgas e se depara
com algo que algum dia foi uma bicicleta. A máquina do tempo
da sua mente é ligada automaticamente e você vai parar
em algum ponto do seu passado onde aquela bicicleta era nova e reluzente...
O mercador que está expondo a traquitana te fala
o preço... Uma pechincha! E você leva para casa os
restos mortais para trazê-los de volta à vida. Cai
o pano...
Cena 2: Morreu aquele tio
querido daquela cidadezinha onde você passava suas férias
na infância. Você era apaixonado pela bicicleta dele.
Você telefona para a tia viúva para prestar as condolências...
Ela está conformada pois o tio teve o merecido descanso.
Ah! Lembra-se ela... Antes de morrer, ele disse que a bicicleta
que você tanto gostava, deverá ser entregue pra você...
Cai o pano...
Cena 3: Você adora antigüidades.
Sua casa é decorada com dúzias de objetos antigos.
Sua pressão arterial anda meio descontrolada e o colesterol
idem... Aí vem a sentença do cardiologista... Sua
vida sedentária vai te matar... Remédio urgente: Atividade
física... Mau hein cara?!? Aí você lembra que
gostava de pedalar quando garoto... Vamos unir o útil ao
agradável... Primeiro uma bicicleta moderna para começar
a atividade física, mas resolve achar uma bicicleta antiga
para restaurar e dar vazão à sua paixão por
antigüidades... Cai o pano...
Se usarmos a imaginação,
poderemos criar dúzias de cenas como essas, que justificam
a paixão que muitos têm por bicicletas antigas. Seja
qual for a forma de aquisição, é necessário
definir qual será o processo renovador utilizado. Temos três
possibilidades:
- Reforma: Processo pelo qual
a bicicleta voltará a rodar. Para tanto, toda e qualquer
adaptação ou utilização de peças
modernas é válida e aceita. A repintura pode ser feita
com qualquer tipo de tinta em qualquer cor sem restrições;
- Recuperação:
Aqui começa o compromisso com a originalidade. A substituição
de peças por tecnologias diferentes, não é
aceita. Se for necessária a substituição de
um componente, o novo deve ser de preferência idêntico
em tecnologia, forma e acabamento em relação ao original.
A repintura deve sempre que possível conservar a cor original;
No passado eram comuns coroas
personalizadas de cada marca, na foto uma Phillips
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- Restauração:
É um processo difícil e demorado, pois só são
aceitos componentes de época. Um simples cubo fabricado posteriormente,
mesmo que idêntico em tecnologia, forma e acabamento, descaracteriza
a restauração. A repintura deve obrigatoriamente utilizar
a mesma cor original e o mesmo tipo de tinta que se usava no modelo
original.
Definido o processo, deveremos localizar
a bicicleta em marca, modelo, espaço e tempo. Muitas vezes,
a marca está visível. Quando o fabricante ainda existe,
tudo fica mais fácil, pois podemos eventualmente contar com
a ajuda do respectivo serviço de atendimento ao consumidor
no processo de identificação e datação.
As dificuldades começam porém,
quando não existem marcas ou ainda a marca identificada pertence
a um fabricante que deixou de existir...
A identificação e datação,
devem ser feitas sempre antes da desmontagem da bicicleta. A primeira
providência, é fotografar a bicicleta. Se você
só puder fazer uma única foto, prefira uma lateral
direita, que é o lado da corrente e da coroa.
Selim inglês da marca
Brooks
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Idealmente, faça três
fotografias: uma lateral direita, uma lateral esquerda e uma em
perspectiva panorâmica.
Seja observador e não despreze
nenhum detalhe, se algum detalhe chamar a atenção,
fotografe-o tão perto quanto sua câmara permitir.
Selins são importantes elementos
de reconhecimento. As coroas também, visto que era prática
comum no passado os fabricantes terem modelos exclusivos de desenho
de coroas.
Outro componente importante que pode
auxiliar na identificação, é o suporte de farol,
uma chapa em L que muitos fabricantes moldavam com padrões
específicos.
Suporte de farol
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Quadros antigos na quase totalidade,
eram cachimbados, isto é, utilizavam uma técnica
construtiva onde a junção entre os tubos era soldada
a conexões trabalhadas (os cachimbos, ou lugs,
em inglês).
Os cachimbos muitas vezes tinham
desenhos extremamente artísticos e rebuscados. Se for o caso
de sua bicicleta, tente fotografar também os cachimbos com
o maior detalhamento possível.
Cachimbo
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Procure anotar toda e qualquer inscrição
que possa encontrar em qualquer parte da bicicleta. As mais comuns
são:
- Número de Série:
A maioria dos fabricantes grava o número do quadro na parte
inferior da caixa de centro (a parte do quadro onde é montado
o eixo central dos pedais).
A numeração é
feita com punções de letras e números que ao
serem martelados contra a superfície metálica, marcam-na
em baixo relevo.
Se sua bicicleta tiver um número
desse tipo, cole sobre ele uma etiqueta auto adesiva branca e esfregue
grafite de lápis na etiqueta. Dessa forma, o número
será decalcado na etiqueta. Remova a etiqueta cuidadosamente,
cole-a num papel e guarde numa pasta. Daqui pra frente, toda a documentação
que puder ser obtida, bem como as fotografias, serão guardadas
nessa pasta;

Cubo Sturmey
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- Marcas em Peças:
Observe atentamente os cubos, pedais, pedivelas, coroas, alavancas
de freios, guidão, âncoras de freios, aros etc.
Se possuírem marcas ou inscrições
em baixo relevo, decalque-as com a mesma técnica que foi
adotada com o número de série. Algumas inscirções,
só poderão ser decalcadas após a desmontagem.
Deixe o decalque delas para depois, mas não se esqueça
de executá-lo;

Brasão Raleigh
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- Brasões: Muitos fabricantes
no passado, além do letreiro com o marca pintado ou adesivado,
utilizavam ainda um brasão rebitado na parte frontal da caixa
de direção. Alguns brasões eram pintados sobre
a chapa, outros eram em relevo. Se forem do segundo tipo, também
podem e devem ser decalcados.
Com toda a documentação
em mãos, podemos iniciar o processo de identificação/datação.
O primeiro passo, é procurar dados do fabricante na Internet
através de um site de busca como o Google por exemplo (www.google.com).
Para fazer tal busca, utilize sempre uma palavra além do
nome da bicicleta.
Exemplificando: A bicicleta
é uma Goodyear, pesquise no Google as palavras goodyear bicicleta,
para tentarmos achar algum material em português ou espanhol.
A seguir, tente goodyear bicycle para obter resultados em inglês.
A palavra vintage também é útil
num site de busca, pois é o termo que os norte-americanos
usam para denominar antigüidades. Na primeira etapa, não
despreze um site por mais irrelevante que pareça ser a informação
obtida. Registre todos os sites visitados nos Favoritos
do seu browser. Ao final deste texto, você tem uma relação
dos sites mais importantes que tratam de bicicletas antigas. Se
possível, imprima todas as informações que
conseguir obter sobre a marca/modelo e coloque na pasta.
Encontrando ou não informações
na Internet, uma das fontes mais importantes de informações
sobre bicicletas antigas, ainda é a memória popular.
Não tenha receio de perguntar para pessoas mais velhas. Não
confie na sua memória. Tudo que ouvir, anote e coloque na
pasta. Na primeira etapa, todas as informações são
importantes. Visite bicicletarias antigas e tradicionais. Torne-se
amigo dos proprietários e diga a eles qual é a marca
da bicicleta que você está restaurando. Mostre as fotos,
pois muitas vezes a foto vai trazer memórias à tona
e você só tem a lucrar com as informações
obtidas. Deixe seu nome e telefone nessas bicicletarias, pois muitas
vezes, após algum tempo você é surpreendido
com um telefonema de algum bicicleteiro que ao fazer uma faxina
na bicicletaria encontrou peças que você pode precisar.
Para finalizar: Se você
resolver comprar uma bicicleta antiga de alguém desconhecido,
dê preferência a uma bicicleta bem conservada. O inconveniente
maior de uma bicicleta bem conservada, é que ela fatalmente
custará mais caro. Mas não faça loucuras. Por
melhor que seja o estado geral, você terá de gastar
dinheiro na restauração e quanto menos pagar por ela,
menor será o gasto final. Controle a emoção
se você encontrar uma bicicleta que procurava há muito
tempo. Como se diz, não dê bandeira. Um
vendedor mal intencionado ao perceber sua emoção,
pode resolver aumentar o preço. Infelizmente em nosso país
existe a falsa idéia de que preservação, colecionismo
e antigüidades são hobbies de milionários...
Links Importantes
Old Roads (www.oldroads.com):
Site estadunidense repleto de informações sobre bicicletas
antigas. Tem centenas de diagramas de montagem de componentes, galeria
de fotos de bicicletas antigas e fóruns de discussões.
Classic Rendezvous (www.classicrendezvous.com):
Site estadunidense extremamente bem organizado. Divide as informações
por nacionalidade e marcas. Fotos interessantes ajudam bastante
em identificação e datação.
Bike Cult NYC (www.bikecult.com):
Site novaiorquino com belíssimas fotos de bicicletas antigas.
A subpágina de coroas (chainrings) tem imagens
valiosíssimas que podem auxiliar bastante na identificação
de bicicletas antigas. Confira em www.bikecult.com/works/chainring.html
Sheldon Brown (www.sheldonbrown.com):
Um dos sites mais populares sobre ciclismo na Internet. Não
é um site específico sobre bicicletas antigas, mas
o mago Sheldon Brown dá dicas importantíssimas
em restauração, principalmente dos cubos de marchas
Sturmey-Archer.
Bicicletas Antigas (www.bicicletasantigas.com.br):
Site do brasileiro Marcelo Afornali. Fotos belíssimas. Um
site muito bem organizado.
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