No
início de 1998, quando ainda começava a coletar bicicletas
antigas e peças, conheci na casa de um amigo com uma bicicleta
alemã da marca Wanderer, a qual achei interessante em vários
detalhes e principalmente, o desenho clássico do guidão.
Depois
disto sempre tive vontade de comprar uma bicicleta desta marca,
mas era quase impossível, pois as últimas bicicletas
Wanderer que vieram da Alemanha para o Brasil chegaram aqui antes
da Segunda Grande Guerra.
Em
Setembro de 1998, um amigo que trabalha com bicicletas modernas
me ligou e pediu para que eu desse um “pulinho” na sua
loja que ele tinha uma surpresa me esperando: Era uma Wanderer Continental
1938!.
O estado
não era nem um pouco bom, pois faltavam diversas peçass
como pedivelas, freio dianteiro, cubo traseiro original Águia,
cobre-corrente, pedais originais etc, coisas que ao longo dos anos
foram se perdendo e que nunca mais foram recolocadas.
Nem
pensei duas vezes. Encarei o desafio! Comprei a bicicleta e a trouxe
para casa. Estava realizada a primeira etapa do sonho de ter uma
Wanderer.
Após
a desmontagem, cataloguei todas as peças e anotei tudo que
precisava. Saí à caça e na pista de tudo que
seria possível encontrar. Aos poucos foram surgindo as peças
que eu necessitava.
Na
velocidade que surgiam, eu contava sempre um ponto a menos para
terminar a coleta de peças e enfim, dar continuidade ao trabalho
de restauração.
Os
últimos detalhes foram os mais difíceis, pois em se
tratando de partes elétricas alemãs dos anos 30, é
algo complicado de se conseguir. Surgiu então um farol Bosch
completo e com dínamo igual aos de catálogos antigos
que eu possuía.
Estava
em bom estado e foi até fácil de restaurar, mas o
pior ainda estava por vir: Era o cobre-corrente! O cobre-corrente
desta bicicleta tem de comprimento total 64 cm, medidos da curvatura
frontal até o fim, quando cobre o pinhão.
Um
amigo que estava na Alemanha e que já tinha me mandado um
catálogo Wanderer de 1938, no qual pude identificar o ano
da bicicleta e todos os seus acessórios, fez a gentileza
de contatar um clube de bicicletas antigas que conseguiu a peça
que eu precisava.
Enfim,
a bicicleta estava completa e pronta para a parte final!
A
pintura foi refeita sob catálogo, pois uma legítima
restauração tem de ser feita assim... No caso da bicicleta
Wanderer Continental, a pintura tem a chamada seta radial na parte
frontal do quadro, seta esta em degradê com duas cores e fumaça.
As
cores eram variadas e a opção escolhida foi verde
e branco, sendo esta uma das cores originais das bicicletas deste
ano.
A
pintura foi refeita, a cromação também e a
montagem foi desenvolvida durante mais ou menos quatro dias, com
todos os cuidados necessários para que não houvessem
danos ou coisa parecida.
Depois
de montada, o jeito foi andar e quase que sem perceber...a emoção
toma conta da gente!
É
como se todos aqueles cinco longos anos que passei para realizar
este trabalho se resumissem apenas naquele momento, no sonho, na
utopia de ver uma verdadeira Clássica Alemã a rodar
pelas ruas novamente, exatamente igual a quando saiu da loja a exatos
65 anos...
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