Brain - Conheça a suspensão
que pensa
Specialized Epic equipada
com o Brain
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Bicicletas full suspension
aquelas com suspensão na dianteira e na traseira não
são exatamente a novidade do momento. Existem há mais
de uma década e elas revolucionaram a prática do mountain
bike.
Graças aos dois amortecedores
foi possível aos pilotos ganharem mais velocidades nas descidas
com maior estabilidade e segurança, sem falar do conforto
que uma full oferece ao ciclista.
Em 1992 a norte-americana Specialized
desenvolveu a linha "FSR" de bikes com suspensão
total. E o sucesso foi enorme. O sistema criado com a ajuda do especialista
em suspensão Horst Leitner, consiste em quatro braços
que unem um pequeno amortecedor ao quadro da bike. Até hoje
ainda vemos as FSR em provas de mountain bike e downhill mundo afora.
Entretanto, nem tudo é perfeito no funcionamento desse modelo
de suspensão.
Se por um lado o piloto ganha em
conforto nas descidas, ele perde muito na hora de usar a força
nos pedais, em especial nas subidas, quando se pedala em pé.
Nessa condição, a suspensão traseira, e também
a dianteira, tende a afundar, desperdiçando boa parte da
energia produzida pelo atleta. Esse desperdício é
vital no desempenho do ciclista.
Os próprios fabricantes de
suspensões, dianteiras e traseiras, se preocuparam em solucionar
esta característica das bikes full suspension. Uma das soluções
foi criar um sistema que permitisse ao piloto travar a suspensão
de acordo com o terreno. Assim, em subidas, o piloto aciona a trava
e em descidas e em trechos acidentados, a suspensão é
acionada para amortecer os impactos. Nos dias de hoje, várias
marcas de suspensão [dianteira ou traseira] possuem este
sistema.
CÉREBRO
Repare no detalhe em vermelho:
a câmara onde fica a válvula de inércia,
o "cérebro" do sistema
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Desde a criação da
linha FSR, os engenheiros da Specialized já sonhavam com
um suspensão que pensasse e interpretasse o terreno e comandasse
automaticamente o funcionamento do amortecedor traseiro. Em 1992,
isso era apenas sonho.
A tarefa de criar um amortecedor
que interepretasse o terreno ficou a cargo de Mike McAndrews, engenheiro
da Fox Racing , fabricante de suspensões para motocicletas
e bikes, e ex-funcionário da Specialized.
Para desenvolver o amortecedor perfeito,
McAndrews fez uso de uma tecnologia disponível a mais de
80 anos no mercado: a válvula de inércia. Com a ajuda
de Bob Fox o proprietário da Fox Racing o engenheiro
tratou de adaptar a válvula aos delicados amortecedores traseiros
para bicicletas.
O sistema batizado de Brain
pela Specialized fica posicionado na parte traseira da bike,
bem próximo do eixo traseiro. (Brain, em inglês significa
cérebro). Ele possui uma válvula que fica fechada
pela ação de uma mola, deixando o amortecedor rígido,
travado. Assim que a bike alcança um obstáculo, o
impacto gerado aciona automaticamente a válvula de inércia
que libera o funcionamento do amortecedor, que absorve o impacto.
Tão logo a bike alcance um trecho suave - sem impactos -
a mola retorna e a válvula se fecha e o amortecedor endurece
novamente. Simples não?

O amortecedor (esquerda) e a válvula de inércia
(direita, colorida)
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No caso do obstáculo ser negativo
um buraco ou valeta, por exemplo o sistema permite
que o amortecedor atue pela ação da gravidade e amorteça
o impacto do buraco. Ao retornar à posição
original, a válvula é novamente fechada. A sensibilidade
da válvula de inércia permite que o amortecedor atue
a partir de impactos de 1G. A patente do Brain pertence à
Specialized, que desenvolveu o sistema em parceria com a Fox Racing.
VEJA
O FUNCIONAMENTO ANIMADO DO SISTEMA
As bikes Specialized equipadas com
o Brain chegaram ao mercado no final do ano passado, e algumas já
podem ser vistas em trilhas brasileiras. Além da linha FSR,
a Specialized criou também a nova linha Epic, que vem sendo
utilizada pelos pilotos da equipe, entre eles a suíça
Barbara Blatter e o belga Filip Meirhaeghe, que venceu a etapa do
mundial de cross country disputada em Fort William, na Escócia.
E o cérebro funciona mesmo?
Propagandas à parte, é cedo ainda para dizer. O produto
é mesmo revolucionário e já se fala que é
um marco na história da tecnologia das bicicletas. Segundo
Andrew Juskaitis, editor da revista norte-americana Velonews, o
Brain funciona mais rápido e mais eficientemente do que qualquer
outra suspensão com trava acionada manualmente e deve provar
sua funcionalidade em competições mundo afora.
Fica uma pergunta: será que
o amortecedor traseiro, com sua válvula de inércia
que atua a partir de impactos de 1G, não vai travar em momentos
desnecessários e deixar de funcionar em momentos necessários
e cruciais? É bem possível que sim. Ainda não
andamos com as Epic e as FSR equipadas com o Brain, mas o teste
já está agendado e em breve vamos conferir.
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