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Uma
Speed para
qualquer bolso
Por André
Peggion
Esta bike
foi montada a partir da reunião de peças de diversas
origens, algumas inclusive adaptadas de outros modelos
O quadro utilizado estava
parado no fundo da oficina da Total Bike. Sua geometria é
de um modelo turismo. Feito em cromo, cachimbado (cachimbos são
pequenas luvas que servem de enrijecimento e junção
entre os diversos tubos do quadro), a primeira preocupação
foi remover a tinta velha e verificar algum possível comprometimento
em sua estrutura. Feita a inspeção foi encaminhado
para o devido tratamento químico e nova pintura.
O maior problema observado
no quadro foi a ausência de passadores dos cabos do câmbio.
Duas soluções se apresentaram: soldar os passadores
e furar o quadro embaixo do movimento central, para a colocação
da guia de nylon, ou utilizar três braçadeiras originais
da Caloi 10. Utilizar solda num quadro é sempre um risco,
pois o aquecimento ao qual ele é submetido pode causar algum
problema de desalinhamento nos tubos. Por esta razão adotou-se
a solução das braçadeiras.
Outro problema foi a
ausência do garfo original. Optou-se por um modelo em cromo,
com altura do pescoço de união com o quadro de 250
mm. Como ele é cromado, a aparência final do conjunto
lembrou os quadros fabricados por Eddy Merckx (www.eddymerckx.com).
As rodas utilizadas
pelo quadro são as 700 mm, atualmente padrão de mercado
nas speed. Cabe aqui alguns comentários sobre as medidas
desta roda. Os pneus utilizados foram os Maxxis 700x25C mm. Gravado
no pneu há uma linha que delimita o fim da circunferência
do aro e o início da parede descoberta da borracha e uma
indicação do diâmetro desta linha (25 pol. ou
622 mm).
O pneu montado no aro
e inflado mede aproximadamente 675 mm de diâmetro. Se tomarmos
uma linha reta imaginária que começa no eixo do parafuso
que prende o freio dianteiro ao garfo ou o traseiro ao quadro, passa
pelo centro da roda e termina na face do pneu, teremos uma distância
de 700 mm (ver figura). Gostaria que alguns dos leitores deste texto
pudessem confirmar se esta distância é a que dá
origem aos 700 mm grafado no pneu.
Outro detalhe curioso
foi que apesar do pneu declarar um largura de 25 mm ele apresentou
apenas 22 mm inflado. Os aros adotados foram os Tecnall, de parede
dupla. Para entender melhor o que são aros de parede simples,
dupla, normal ou aero, dê uma olhada em www.cronometro.com
, no item "wheels.
Quanto à transmissão
adotou-se pedivela Tracer (52-40 dentes), catraca Shimano (28-14
dentes), câmbios da linha RSX, também da Shimano e
cubos de roda de flange alta, originais da Caloi 10, assim como
o passador de marchas (não indexado).
Neste
item três opções básicas se apresentaram:
um grupo de peças tradicional, com passador de marchas indexado
integrado à manopla de freios (opção normalmente
cara); furar o quadro no tubo que vai do garfo à pedivela
e aparafusar um passador de marcha indexado (solução
bastante utilizada porém muito discutível pois pode
haver um comprometimento da resistência do quadro, justamente
numa região aonde ele é bastante solicitado) ou a
solução adotada, um passador de Caloi 10, não
indexado, e preso através de uma abraçadeira ao suporte
de guidão, também da Caloi 10 (Dia-Compe).
A vantagem desta solução
foi ser reversível, pois além de não danificar
o quadro, permite a transformação para a primeira
opção facilmente. Quanto à catraca, estudou-se
duas soluções: um modelo Regina (21-12 dentes), própria
para rodar em estradas, ou o adotado, mais direcionado para passeio.
Os freios adotados,
em função das características do quadro, foi
o modelo RX100 da Shimano. O selim da Selle Royal, em gel. O guidão,
em alumínio, da Kalloy no tamanho 41 cm (difícil de
achar, uma vez que o importador está trazendo apenas o tamanho
44 cm, ideal para uma Caloi 10 mas um pouco grande para uma speed).
Os pedais são em alumínio, utilizados em MTB, uma
vez que que a bike foi direcionada para passeio. As manoplas de
freio da Dia-Compe, com acionamento simples.
No asfalto
Ao sentar na bike a
primeira coisa que chama a atenção e causa uma certa
apreensão inicial é a largura do pneu (22 mm), principalmente
para quem roda com os confortáveis 32 mm (1 ¼ pol.)
de uma Caloi 10. Nos primeiros minutos já dá para
notar a leveza e agilidade que eles trasmitem à bike. A sensação
de insegurança também logo fica para trás.
A aceleração
também é diferente de uma bike comum, pois ela ganha
velocidade com muita facilidade. A troca de marchas se faz de maneira
precisa e rápida, apesar do passador não ser indexado.
Aqui se faz interessante um comentário a respeito dos dois
sistemas, pois ambos apresentam vantagens e desvantagens, embora
os passadores não indexados estejam caindo em desuso.
No sistema indexado
as mudanças são feitas uma a uma, com um simples toque
no passador. Porém se o câmbio não estiver perfeitamente
regulado, pode ser que a corrente comece a bater na catraca e a
única solução será regular o câmbio,
depois da pedalada. No sistema não indexado, pode-se passar
de uma catraca a outra livremente, porém em pouco tempo acostuma-se
com as posições das mudanças. Pequenas correções
podem ser feitas diretamente no passador, compensando alguma pequena
desregulagem do câmbio.
Outro item bastante
eficiente foram os freios, parando a bike em qualquer velocidade,
sem comprometer a segurança. Um pequeno problema que surgiu,
comum aos aros de alumínio, foram pequenos trancos sentidos
em freadas prolongadas nas descidas longas. O problema é
que na soldagem dos aros, localizada no ponto diametralmente oposto
ao pino da câmara, geralmente há um pequeno desalinhamento
ou alguma sobra de solda (a solução é lixar
o local com uma lixa d'água 400, úmida e ligeiramente
gasta, e depois dar um polimento com o lado verde de uma esponja
tipo Scotch Brite, também úmida).
Voltando aos pneus,
como as câmaras utilizam um bico fino e longo, próprio
para aros aero, é necessário utilizar um adaptador
para calibrar em postos de gasolina, simulando o bico utilizado
em câmaras de automóvel. A pressão recomendada
é 100 p.s.i.
Conclusão
Num mercado carente
de opções mais simples e dominado pelas bikes importadas,
um modelo speed como este, montado com peças menos sofisticadas
e situando a sua faixa de custo pouco acima dos modelos MTB mais
incrementados, certamente teria o seu espaço. Hoje as bikes
de passeio oferecem praticamente o mesmo que as Caloi 10 traziam
como novidade há mais de 20 anos. Uma montagem de quadro
um pouco diferente, um guidão speed e praticamente as mesmas
peças utilizadas nas bikes atuais e teríamos modelos
iguais ao apresentado rodando nas ruas. A um preço bem mais
razoável que as inacessíveis importadas.
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10 reciclada
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