|
Regulagem
de câmbio
Klaus
Poloni (foto), um dos poucos, senão o único
construtor de quadros no Brasil, dá as dicas para a perfeita
regulagem do câmbio traseiro. A periodicidade da regulagem
vai depender do estado de todo o conjunto de câmbio, bem como
da utilização da bicicleta. Uma bike que enfrenta
condições severas vai precisar de ajustes mais freqüentes.
Mas,
como regra geral, a regulagem deverá ser feita todas as vezes
que as mudanças de marchas se tornam mais lentas e as marchas
“raspam” durante a troca.
Você
vai precisar de:
Ferramentas
necessárias |
-
Chave Allen 5mm
- Chave Phillips e/ou chave de fenda
- Alicate universal ou de bico
- Cavalete ou suporte para tirar a roda traseira da bike do
chão. Dá para improvisar um suporte caseiro com
uma madeira (cabo de vassoura) apoiado em duas cadeiras. O importante
é que a bike fique firme e a roda traseira saia do chão.
Até mesmo pendurar a bike pelo selim em uma árvore
é válido. |
“O
primeiro passo é examinar se os componentes do câmbio
(câmbio traseiro, corrente, cassete, coroas e trocadores de
marcha) são compatíveis entre si. Na dúvida
pergunte a um amigo experiente ou a um mecânico”, ensina
Klaus. Outra dica é examinar com atenção o
cabo de acionamento do câmbio. Ele deve estar bem limpo e
lubrificado.
Outro
detalhe importante é ter a certeza de que os conduítes
são mesmo conduítes para o cabo de câmbio. Conduítes
para cabos de freio são diferentes dos conduítes de
câmbio em sua construção e interferem diretamente
no bom funcionamento do câmbio. Cabos oxidados, desfiados,
bem como conduítes ressecados e quebrados, devem ser substituídos
por novos, para que o câmbio atue com perfeição.
Os
câmbios indexados – aqueles que mudam de marcha com
um simples toque no mudador – funcionam muito bem, desde que
alguns pontos sejam observados. “A partir do câmbio
Shimano SIS o ciclista tem que se preocupar com a qualidade dos
componentes câmbio, capas e cabos. Folgas no câmbio
também vão interferir diretamente na precisão
da troca de marchas", ensina Poloni.
REGULAGEM
DOS LIMITES SUPERIOR E INFERIOR
Essa
regulagem vai impedir que a corrente caia fora da catraca menor
e da maior.
1-
Coloque a corrente no volante maior e na catraca menor.
2-
Solte o parafuso Allen que prende o cabo ao câmbio.
3-
Solte o parafuso Hi, para que a corrente venha para a direita. Ao
mesmo tempo que solta o parafuso Hi, gire lentamente o pedivela
e observe: Quando o câmbio começar a fazer o barulho
que vai derrubar a corrente para a direita, em direção
à gancheira, esse é o ponto correto do limite inferior.
Pedale
a bike com a mão e certifique-se que a corrente não
vai cair fora da catraca menor. Como o cabo ainda está solto,
faça o seguinte teste:
Giro
o pedal com as mãos. Empurre manualmente o câmbio em
direção à catraca maior e deixe-o voltar naturalmente.
A corrente deve entrar perfeitamente na catraca menor, sem cair
para fora ou fazer barulhos estranhos.
4-
Coloque a corrente no volante menor e faça o mesmo com a
regulagem Lo, que vai limitar e impedir que a corrente caia em direção
aos raios.
Feita
a regulagem do limite inferior e superior, é hora de proceder
a regulagem das marchas:
REGULAGEM
5-
Gire no sentido horário (olhando por trás da bicicleta)
o regulador, junto ao câmbio. Volte também completamente
o regulador no shifter (alavanca de mudança de marchas).
6-
Coloque a corrente no volante maior e na catraca menor. “Existe
uma crença que o volante do meio de uma mountain bike pode
ser utilizado com todas as marchas. Isso é ótimo para
a Shimano e para as bike shops – que vendem mais peças
– mas na realidade o ideal é usar o volante do meio
com as marchas localizadas mais ao centro do cassete. Isso aumenta
a vida útil de todo o conjunto como corrente, cassete e roldas,
pois diminui o esforço lateral da corrente.
O
ideal é usar o volante da direita com as 2 ou 3 catracas
da direita e o volante da esquerda com as 2 ou 3 catracas da esquerda,
e o volante do meio com as catracas do meio do cassete”.
7-
O cabo do câmbio deverá ser tensionado e o parafuso
de fixação apertado (foto). A tensão
a ser dada no cabo é muito importante. O cabo não
pode estar nem solto demais, nem apertado demais.
Se
o cabo ficar muito solto, as marchas não vão subir,
se ficar muito tensionado, um clique no shifter vai trocar duas
marchas. A prática vai ensinar qual a melhor tensão.
Dica
do Klaus: Cuidado ao apertar o Allen. Segure todo o corpo
do câmbio com uma das mãos.
AJUSTE
FINO
A regulagem
final da passagem das marchas de um câmbio indexado começa
pela catraca menor, com a corrente no volante maior. Ao ajustarmos
a troca de marchas das duas catracas menores, as demais irão
também funcionar perfeitamente.
8-
Gire o pedal com as mãos e acione o mudador para que a corrente
suba para a catraca imediamente maior. Se a corrente NÃO
subir, é sinal que falta tensão no cabo. Gire o ajuste
no sentido anti-horário para esticar o cabo. Gire lentamente
o regulador - mais ou menos uma volta.
Se
a corrente ainda não subiu para a catraca imediatamente maior,
volte o regulador e torne a dar mais tensão de cabo, soltando
o parafuso de fixação junto ao câmbio. (Um cabo
muito tensionado fará que com um clique no mudador, duas
ou mais marchas sejam trocadas).
9-
Assim que a marcha estiver entrando perfeitamente na segunda catraca,
coloque a corrente na segunda catraca e gire o pedal com as mãos
ao mesmo tempo em que tensiona o cabo, por meio do regulador, junto
ao câmbio. A idéia é encontrar o ponto onde
o câmbio começa a fazer o barulho de que vai subir
para a marcha seguinte.
10-
Volte um pouco o regulador (cerca de ¼ de volta) e desça
novamente a marcha para a menor catraca. Novamente vá subindo
as marchas e verifique o funcionamento das demais marchas. Todas
elas devem estar funcionando perfeitamente.
11-
Coloque a corrente no volante do meio e confira novamente o funcionamento
de todas elas.
Aquele
parafusinho inferior, próximo à gancheira, serve
para fazer o ajuste da distância entre as roldanas do
câmbio e as catracas, já que existem diversos
construtores de quadros, diferentes tipos de gancheira, vários
comprimentos de roldanas e de corrente etc. Entretanto, em
uma regulagem do dia a dia, não é necessário
mexermos no ajuste desse parafuso. Esse parafuso traz a roldana
bem próxima à catraca menor. Quanto menor essa
distância, mais precisão e rapidez haverá
na troca de marchas. |
Veja
também:
Regulagem
do câmbio dianteiro | Regulagem
de freio a disco
|